B.G. Design

Em entrevista, Gabriela Baldo, pós-graduada em Fashion Marketing pelo IED São Paulo, conta o sucesso que está alcançando com o lançamento de sua marca

By Carla Mabellini

Gabriela Baldo,  aluna formada em Fashion Design pelo IED Milão e pós-graduada em Fashion Marketing and Communication, pelo IED São Paulo, conta como foi o seu começo de carreira e o que espera para o futuro de sua marca, B.G design

Como surgiu a sua paixão pela moda?
Quando eu era bem nova, fiz um intercambio e estudei em uma escola na Itália. Lá me encantei pela moda. Na própria escola podíamos escolher uma área na qual gostássemos muito e como sempre gostei de criações e trabalhos manuais escolhi a moda. Eu tinha aula de costura, de modelagem e me apaixonei por aquilo. Quando voltei para o Brasil já tinha certeza do que queria fazer alguma coisa ligada à moda. Na época não existiam muitas faculdades de moda, era um curso muito novo. E procurei uma faculdade que pudesse me dar uma base muito ampla, que pudesse me oferecer professores atuantes no mercado de trabalho e assim que tivesse o maior conhecimento possível naquilo que estavam fazendo. Então optei pelo IED de Milão, pela sua tradição por se localizar na cidade da moda.

Estudar nem Milão te deu um conhecimento maior nessa área de artes e moda?
Me proporionou uma bagagem cultural muito grande. Moda para mim, faz parte do do meio da arte. Você precisa ter um conhecimento, o que aconteceu, o que vem acontecendo, o histórico das empresas, o mercado de luxo…Milão é uma cidade que acontece tudo nê? Artes, design, moda… Então você vê aquilo, você respira aquilo, é toda a hora, em todo o lugar. Toda arte está muito constante no seu dia-a-dia e foi ali que consegui apurar um olhar para moda conceito.  O que é moda, da onde vem a moda, qual a ligação com o marketing com o design.

E o Fashion Marketing aqui em São Paulo, como que foi?
Quando terminei o trienal lá em Milão e voltei para o Brasil eu já tinha meu plano de montar uma empresa. Eu sempre quis ter a minha marca e  precisava de uma base mais de business e administração para poder montar e cuidar da parte financeira, da parte contábil e venda, enfim, eu precisava de um knowhow . Por que  não basta você ser uma grande estilista se você não vê o lado comercial, o resultado das vendas, o financeiro, o quanto custa a matéria-prima e no que ela pode ser aplicada. Eu não posso trabalhar uma materia-prima com um custo muito alto para uma peça que não rende tudo aquilo, então, na hora de montar uma coleção, você precisa montar um equeleto, precisa de um planejamento, tem que ter os custos no papel. Não basta ser um ótimo criador, mas precisa também ter os pés no chão para que a empresa seja bem estruturada e vá para frente.

E o Fashion Marketing te deu essa base, colocou os seus pés no chão?
O Fashion Marketing  me deu um olhar mais real de consumo, de entender o consumidor mesmo. Não só achar o que pode ser bonito, o que pode ser feio, mas o que pode ser vendável e o que os outros desejam consumir.  Não adianta ser uma criação incrível, super inovadora se a gente não tem mercado para isso no Brasil. A gente precisa saber no que apostar.
Por não ter essa cultura, por não saber o que a gente está consumindo a gente ainda segue muito as tendências internacionais, o que as pessoas lá fora estão usando. A gente ainda não tem uma opinião muito formada em relação a cultura de moda, mas estamos começando a ter esse knowhow. Como  consumir, o que consumir, o que é melhor, o custo das coisas, se o preço realmente vale o que vale…

Como foram os seus primeiros showroom, no Rio-à-poter e no Terraço Daslu?

A exposição do Rio foi na mesma semana da semana de moda na cidade, então a feira Rio-à-poter bombou. Teve uma grande quantidade de compradores e uma ótima visibilidade. Por ser a primeira aparição da marca teve um resultado bem bacana. Blogueiras, pessoas de editorial de revistas, gente do mundo da moda, valeu super a pena.
Aqui em São Paulo, estou tendo um retorno até maior do que esperava. Nos primeiros dias foi um pouco devagar, mas agora, na semana do São Paulo Fashion Week, estão chegando bastante compradores e a imprensa. Superou as minhas expectativas.
Eu sempre fui uma pessoa com o pé no chão, já cheguei pensando que não venderia muito. Já que, para um cliente apostar numa marca ela precisa já ter um histórico, pois ele não sabe se você tem uma entrega correta, se você realmente vai produzir o que está expondo. Então o cliente precisa sentir essa segurança, por isso os primeiros pedidos sempre são menores, mas esta exposição está superando as nossas expectativas.

Porque você acha que o retorno está sendo tão grande?
Pelo diferencial da marca, não é uma coleção tão comercial, não tem aquela pegada de “rios de estampas” que já tem bastante gente fazendo no mercado. É uma marca urbana, então é uma mulher mais madura, mais séria, que trabalha, que conhece a qualidade da roupa, a qualidade da matéria-prima. Essa mulher é feminina e sabe o que está comprando. Acho que estamos agradando pelo fato de sermos diferente.

Você também tem um showrrom em Porto Alegre…
É, eu nasci lá, fiquei bastante tempo fora, e agora voltei em fevereiro do ano passado para montar a empresa. A sede da marca é lá em Porto Alegre. Dentro da sede eu tenho um Showroom que é também onde fica o escritório, tudo em um lugar só. Hoje, eu pretendo  ficar por lá e fazer feiras e exposições aqui em São Paulo.
O projeto da empresa é algo bem maior.  Minha intensão é agregar uma galeria de arte a loja, ter um café, uma biblioteca. Ser algo bem maior com tudo integrado e ligado a arte.

Você tem planos para o mercado exterior?
Sim, muitos! A ideia é começar a exportar o quanto antes, poiso nosso produto é bem competitivo para o mercado externo.

Você pensa  bastante na  sustentabilidade, como trabalha isso?
A gente trabalha com matéria-prima natural e o processo e montagem das peças é tudo pensando na sustentabilidade, principalmente pela existência dessa mulher que não gosta de matéria-prima que é sintética, fio sintético. Esse material, no corpo, na pele, não é agradável. Essa mulher quer um tecido com caimento, um tecido com qualidade. Trabalhamos com seda, algodão 100%, lã… Eu tento trabalhar o máximo possível com sustentabilidade.

Da onde veio a sua inspiração? Porque essa mulher moderna?
A marca traduz muito o que eu já vivi e minha maneira de ver a moda e  o seu consumo. Eu gosto muito de saber que estou pagando no produto o preço real dele e gosto de conhecer e entender o porquê ele custa isso.

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2 Comments

  1. Mariana added these pithy words on February 25, 2011 | Permalink

    Muito legal essa marca nova, nada como ter peças modernas no mercado, parabens para o design barsileiro que finalmete está tendo espaço no mercado!!

    Parabens pelo talento e coragem Gabriela Baldo!

  2. mirian dazzi added these pithy words on February 25, 2011 | Permalink

    Gostei muito da forma como Gabriela apresentou seu projeto profissional.
    Na universidade em que traballho temos curso de Design de Moda e as respostas da entrevistada certamente irão contribuir para que nossas(0s) alunas(os) entendam melhor o binomio criação/sustentabilidade.
    Sucesso Gabriela. Mirian Dolores Dazzi

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