Mila Bezerra e David Lourenço, ambos de 23 anos, são amigos desde infância e após estudarem no IED (Mila Fashion design em Millão e David Cool Hunting em São Paulo) decidiram montar um site inovador e repleto de oportunidades para novos criativos. Junto também com o publicitário Roberto Meira e Felipe Carvalho da empresa Metagov eles criaram o Fashionlab, um site de “crowdsourcing” voltado para moda para marcas promoverem concursos e assim, ganharem mais audiência, visibilidade e/ou reposicionamento no mercado. O site também é voltado para todos os criativos do mundo inteiro, para que possam mostrar o seu talento para pequenas, médias e grandes marcas de moda com os projetos realizados a partir de concursos.
Mila e David, em entrevista para o IED São Paulo, contaram um pouco mais sobre e como funciona o Fashionlab.
Como um criativo consegue fazer parte do Fasionlab? É necessário que ele pague algo para o site para poder participar?
Mila – O criativo precisa apenas fazer o seu cadastro e perfil no site, como um facebook. Ele cria o seu perfil, insere alguns trabalhos e projetos realizados e começa a pesquisar qual a competição que quer participar e não precisa desembolsar nada para fazer parte do Fashionlab, é um site inteiramente gratuito para criativos.
O criativo também possui os seus amigos e contatos no Fashionlab e pode, inclusive, curtir projetos que tenha gostado.
E para marcas lançarem uma competição, como é feito o processo?
Mila- Para marcas também é muito fácil. A marca entra no site, cria uma senha e login e lança uma competição, logo em seguida nós entramos em contato para elaborarmos um briefing e conversarmos sobre valores.
O Fashionlab é um site de crowdsourcing voltado para moda, correto? Mas o que seria exatamente um “crowdsourcing’?
David – Crowdsourcing, ao pé da letra, é algo como “fornecido pela multidão” uma “criação coletiva”. Uma forma de inovação. Um espaço onde criativos do mundo inteiro podem enviar os seus projetos para as marcas da moda. Um trabalho colaborativo em torno de um objetivo comum; que seria, no caso do Fashionlab, uma nova criação para uma marca da moda.
Há quanto tempo existe o Fashionlab e quantos criativos estão cadastrados?
Mila- O Fashionlab esta no ar um pouco mais de duas semanas e possui 2.500 criativos cadastrados. Mas antes do site ir para o ar nós o divulgávamos no blog do fashionlab. É um blog muito focado em conteúdo que trás coisas inéditas. Sempre tem alguém antenado em tudo. Sempre alguém respondendo as perguntas que recebemos. Todos os títulos dos post do nosso blog são em inglês, pois pessoas de outros países acessam muito o blog.
David – Por incrível que pareça tem muito criativo de fora acessando o Fashionlab. Tanto que, daqui alguns dias o site estará disponível em inglês, espanhol e italiano. Um bom exemplo é de uma blogueira de Londres que na primeira semana do blog já nos enviou um e-mail perguntando mais sobre o Fashionlab.
Como Surgiu a ideia do Fashionlab, de criar um site de crowdsourcing voltado para a moda?
Mila- O Felipe Carvalho, da empresa Metagov, que também é nossa parceira, percebeu uma tendência muito grande de crowdsourcing no exterior e percebemos que aqui no Brasil mal existe o crowdsourcing e o pouco que tem é voltado para a publicidade, criação de logo e coisas do gênero.
David – E em uma conversa chegamos a conclusão de que não existe crowdsourcing voltado para a moda no Brasil. O que existe são concursos muito pontuais, realizados, por exemplo, por faculdades ou marcas e que não são muito divulgados. O criativo mal fica sabendo do concurso e quando participa, ele pode até ganhar esse concurso mas depois, para onde vai o projeto? Ele acaba não ficando mais no ar e o criativo se “perde” junto com o projeto.
Então, no Fashionlab os projetos dos criativos que participam dos concursos ficam sempre no ar?
David – Exato! No Fashionlab, você vai criar o seu perfil e montar um, vamos dizer, portfólio, que fica no ar onde todas as marcas podem ter acesso, e assim, recrutar o seu trabalho mesmo se não for o ganhador do concurso. O bacana é ver a evolução dos projetos desenvolvidos pelos criativos, pois existe muita gente que é nova, que está começando a fazer faculdade e desenha uma coisinha aqui, outra coisinha ali e ver a evolução do portfólio dessa pessoa é muito legal.
Como o curso no IED ajudou vocês a desenvolverem e criarem o Fashionlab?
Mila - Como eu queria estudar moda no exterior acabei encontrando o IED aqui no Brasil e como vocês tinham curso no exterior fui para Milão, mas para fazer o curso de One Year, porém na metade do curso eu percebi como eu estava indo bem, evoluindo e aprendendo, então eu percebi que não poderia voltar e acabei fazendo o curso de três anos. Os cursos no IED me ajudaram a perceber como é possível se criar em cima de pequenas coisas. Tudo com um pouco de criatividade pode se transformar. E é isso que é o Fashionlab, onde nos unimos para transformar qualquer coisa com criatividade. Onde você leva moda para o produto.
David - . Eu sempre gostei de moda, mas eu tinha um pouco de medo, pensava que não ia dar certo nada. E quando me formei em publicidade em 2009, que foi na mesma época que a Mila voltou de Milão, nós decidimos montar um blog de moda e comecei a gostar muito do assunto e percebi que precisava estudar e me aprofundar mais no tema. E pesquisando encontrei o curso do IED de Cool Hunting e eu comecei a ler e vi que era isso o que eu queria, porque o Cool Hunting na verdade não é somente moda, mas ele é muito o estudo do comportamento, como lançar o produto e isso é muito legal, eu gostei de aplicar isso na moda, achei interessante e percebi que era isso o que eu queria!
Para as grandes marcas, qual seria um dos atrativos para chamar a atenção, para que ela queira lançar uma competição no Fashionlab.
Mila- Além da marca ter milhares de criativos do mundo inteiro desenvolvendo um projeto para ela de acordo com que esta deseja, marcas que não tem a ver com moda podem se unir a outra marca que é ligada a moda para conseguir solucionar o seu problema a partir de uma competição pelo Fashionlab. A gente também trabalha com uma forma de solucionar problemas com inovação. Porque é o que a marca precisa nos dias de hoje, principalmente, por exemplo, as marcas de tecnologia, que devem “quebrar a cabeça” todos os dias para entrarem em novos segmentos.
Quantas competições ficarão no ar?
David - A gente quer sempre deixar pelo menos três promoções acontecendo. Por exemplo, atualmente temos um concurso para estampa de camiseta, uma de armação de óculos e outra da Dragon Fashion.






