Paolo Barichella

O que é Food design?

By Angola

Paolo Barichella

Food design é a capacidade de projetar propostas e soluções alimentares eficazes em um contexto no qual o produto seja funcional ao tipo de ambiente de consumo, e, sobretudo, ás exigências do consumidor em diversos momentos e situações de consumo.

Os instrumentos para a transformação, conservação, veiculação, serviço e consumo do produto alimentar devem ser pensados com a finalidade de instaurar uma estreita relação dirigida a melhorar as características do produto alimentar e de seu consumo.

Somente quando são estudadas atentamente todas as características de um produto alimentar ou quando projetadas com a mesma matéria pode-se falar de Food Design.

Em uma só afirmação podemos declarar que Food Design é a criação responsável de interfaces e instrumentos funcionais e complementares do ato de se alimentar** e muitas vezes consistir no próprio alimento.

Minha consideração(**alimento, função fisiológica primária do ser humano que é completada pelo ato de trazer nutrição através de substâncias externas ao organismo humano (fome)

Teorização de Paolo Barichella efetuada na Comissão ADI de Food Design

- O que inspira um especialista em food design?

As necessidades que as pessoas mostram em função de novas exigências que são criadas e em seguida as transformações sócio-econômicas e culturais.

As fontes de inspiração chegam observando as problemáticas que existem nos contextos de consumo dos alimentos e em todos os aspectos ligados a sua utilização nos espaços e nos comportamentos.

- Acredita que o design é uma forma de reconciliar o consumidor com o alimento industrializado? Como?

Certamente sim. Quando se fala de design como meio de trazer os benefícios de uma descoberta ou de uma metodologia de aproximação para um ato alimentar, é aquele de identificar um processo industrial através do profissional de food design. Hoje, esta aproximação introduz um conceito de “design democrático” cada dia mais atual quando se fala de alimentos. Os maiores resultados de um produto se obtém através de economias de escala que permitam trazer de maneira justa os benefícios para todos.

O importante é  colocar atenção no projeto e não na venda do produto. A finalidade é a mesma, mas o approach é diametralmente oposto. O marketing manager tem como objetivo o incremento das vendas, procurando um produto que vende, o designer tem como objetivo que o produto seja totalmente eficaz em termos de utilização deste produto, seu consuno e sua reaquisição. As empresas devem entender que o objetivo de produzir não é aquele de vender, mas de realizar algo que satisfaça as exigências do indivíduo.

Vender é conseqüência natural do fato que o produto seja eficaz sendo premiado com a compra, natural conseqüência da satisfação pelo produto. Parece banal, mas muitas vezes não é assim pensado.

- Você acredita que vivemos a geração do design, inclusive quando o tema é alimentação?

Acredito que finalmente tenhamos chegado ao momento. Pelo meu ponto de vista é um pouco tarde. Mesmo trabalhando há mais de seis anos nesta àrea, estou ainda em uma fase de divulgação junto das empresas de benefícios que podem levar a cultura de Food & Beverage.

- Você é  capaz de citar uma embalagem de comida perfeita? Qual e por quê?

Não existe uma embalagem perfeita. Existe a embalagem mais conveniente e eficaz para a situação em um contexto particular.

Explicando melhor, um produto como “Agita e Gusta” da Bonduelle é perfeito se comprado para uso fora do lar, em um lanche ou na pausa do almoço por exemplo. Lugares aonde não é possível ter consigo todos os ingredientes para consumir uma salada. Porém é praticamente inútil se consumido em casa, aonde todos os ingredientes estão a disposição.

- Para pensar o food design é preciso ser gourmet?

É necessário conhecer a fundo os mecanismos que um gourmet apreendeu no início de sua carreira. Os motivos pelos quais nos alimentamos e a sinestesia evolutiva que nos explica o motivo pelo qual percebemos as sensações e psicologicamente  nos comunicamos com  os valores muitas vezes são opostos e em momentos diferentes. Em tudo isto, incluímos teorias antropológicas, sociológicas e psicológicas.

- Você cozinha?

Sim, é uma das minhas paixões preferidas, mas gosto de fazer quando estou com amigos.

Não posso dizer se sou bom ou não.  É melhor perguntar aos amigos sem que eu esteja presente…

Quando estou sozinho, uso os produtos oferecidos pela indústria alimentícia.

- Você acredita que o tema “comida” de modo geral está na moda?

A “comida” sempre esteve um pouco na moda porque traz consigo uma série de aspectos fortemente comunicativos que prescindem simplesmente um aspecto puramente nutricional.

- Que aspectos sensoriais são levados em consideração na hora de criar uma peça de food design?

São os aspectos centrais e prioritários do projeto. A sinestesia, ou por assim dizer, a contaminação entre os diversos sentidos e baseando-se em um estudo de produto de Food Design. Entender e controlar o modo no qual o sentido de algumas informações mudam de uma hora à outra é um dos segredos de alguns produtos.

- O consumidor está  disposto a pagar mais por um produto com boa embalagem?

Depende. O Easy Pill, por exemplo, é um sistema que permite a abertura da tampa de uma lata sem a necessidade de um abridor de latas.Este produto tem um valor maior se usado fora de casa do que se o consumidor  estiver em casa com o abridor de latas na gaveta. Em um piquenique o consumidor perceberá um valor maior no uso, portanto está disponível a pagar mais. È sempre um fator de eficácia e uso em função do contexto,  e este é meu conceito sobre Food Design, o consumidor percebe um grande valor dependendo do real benefício que terá em termos de serviço e no que a embalagem vai agregar em relação ao contexto de uso.

Quando uma peça de design se torna arte?

Quando entra em um livro de história da arte ou design.

O bom design é  algo que permanece nos catálogos das empresas por anos uma vez que o público procura, independentemente da tendência do momento.

A relação entre arte e design é algo muito complexo, é fundamental que exista também um valor criativo e artístico no produto que se adquire, mas não pode ser o único valor levado em consideração, caso contrário terna-se algo efêmero, uma puro exercício de estilo comm um fim em si mesmo.

Um objeto de design não é algo a ser colocado em cima de algum móvel ou pendurado na parede, mas deve ser algo eficaz a ponto de que seja consumido e que se deva comprar de novo.

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